Sindivários Campinas

SOBRE AS DIFERENÇAS SOCIAIS

E A ANARQUIA - Parte 3

Sobre o conhecimento ainda, o que essa relação demonstra é que tentam (os que têm acesso ao conhecimento) salvaguardar para si o monopólio do saber, e como seus quadros de lideranças são quase sempre formados em grupos mais abastados1, assegura-se um grupo de socialistas com estas características e que se dizem apostasiados para os grupos oprimidos, mas que nada fazem além de sugar destes grupos as suas forças revolucionárias.

A este respeito, um exemplo ilustrativo é a não compreensão da resistência ativa, ou seja, a luta dos oprimidos, taxada supostamente de “violência” por vários socialistas que não a aceitam, mesmo que os opressores torturem, matem e massacrem. Afinal, a questão aqui não é ser “cruel” como eles (nada de “olho por olho, dente por dente” dos judeus) e sim, algo bem mais nobre, salvar-se, impor uma resistência que quase sempre descamba para ações violentas “condenáveis”, justamente por ser o fio que divide a legítima defesa e o terror arbitrário, tênue.

Já o resultado dessa “atitude pacífica” é um discurso onde é visível uma ruptura sem violência, gradual e substutiva, atitudes que infelizmente não saíram do projeto destes socialistas abastados simplesmente porque o processo revolucionário é violento no seu teor, por mais que se tende exerce-lo de uma forma pacifica.

É importante frisar que essa pretensa vanguarda que se diz esclarecida e por isso a frente dos movimentos populares, desenvolvem tanto desprezo para com os que não compreendem suas teorias mirabolantes; se tornam no geral, grupelho de difícil convívio, como uma falácia fantástica que deixaria Tomás Morus com inveja, gerada quase sempre na mais “pura e fiel interpretação” marxiana ou marxista, deixando o legado de uma possível panacéia para os males do mundo, pelo menos na suas análises “científicas”. Mas deixemos isso por hora prezado leitor, haverá no decorrer deste texto oportunidades para tal assunto.

É importante relembrar, repetindo o que já foi escrito acima que a Anarquia não se limita e não há definição que feita, a prenda tal como um pássaro em uma gaiola, pois sua beleza e sua atração esta justamente na sua capacidade de fuga, de escorrer pelas mãos de quem tenta segura-la, ficando mais livre e mais solta na medida que o desespero da pessoa que tenta aprisioná-la aumenta, sem entender que na anarquia não há prisões, muros ou circunscrições certas.

A anarquia não tem proprietário reivindicando direitos autorais; um criador, não há alguém com sua propriedade exclusiva. Conseguindo o que se pode chamar de uma metamorfose reciclável, sem perder no entanto, sua essência principal: a LIBERDADE.

Essa é seu pilar principal e não importa que se passe décadas, séculos ou mesmo milênios, esse pilar terá vitalidade e será o ponto de vitalidade no qual gerações viverão.

Existem várias interpretações sobre a anarquia, todas válidas, desde que respeitem as idéias chaves e sua essência primordial, lhe conferindo uma riqueza intelectual ainda pouco aproveitada e que é subestimada pela maioria que tem um contato com a teoria anarquista e não sem razão, pois é aterrador poder pensar e transcender, um processo de desenvolvimento real; um salto qualitativo que o pensamento libertário proporciona e assim pelo conservadorismo (entenda-se conservadorismo com estratégia de indivíduos/grupos para se manter um estado de coisas em que se beneficiam e auto-preservam, mas causando em contrapartida e conseqüente, danos a outros indivíduos/grupos não pertencentes a este arranjo social conservador) calam a anarquia, mas a qual preço? Violência, intolerância e banalização.

1 É notório que as ínfimas parcelas que conseguem ascender a uma universidade ou a formas de conhecimentos altamente especializadas são oriundas de grupos sociais onde as condições são propícias (tempo para o estudo, alimentação de qualidade e outros importantes pré-requisitos que indicam o sucesso ou fracasso do desempenho dos estudantes na sua jornada até o doutoramento), o efeito funil que é mostrado pela estatística do desenvolvimento dos alunos é conhecido. Não se descarta, no entanto, que não só isso é uma explicação para o fato do ensino ser estigmatizado e elitizado, mas mostra bem a perspectiva do fracasso e da farsa que está supostamente atrás da “democracia do ensino”, que é na realidade um meio altamente conservador, excludente e perverso para os milhões de habitantes deste país .

Por Lucifer - inverno de 2000 (continua ...)


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