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O valor educativo da assembléia


Até aqui temos contemplado a assembléia como instrumento do qual
não podem abrir mãos os homens para levar a cabo conjuntamente a
organização de suas instituições e o alcançar uma administração
mais justa sobre os bens coletivos. Mas a assembléia tem implícita
em si uma função que poderíamos qualificar de educadora e que tem
sido insuficientemente explorada até hoje, pese os interesses que a
dinâmica de grupo tem suscitado nos últimos 30 anos e pese, assim
mesmo, os ensinamentos que poderiam extrair de todo o Movimento
Libertário e especialmente da CNT que fincou suas raízes na
experiência coletivizadora que nos ocupa.



Referindo-nos concretamente ao Movimento Libertário espanhol, ao
pouco que o historiador se propunha, descobrirá nele um fenômeno
realmente extraordinário, único até o fechamento da história
universal do sindicalismo obreiro e muito pouco conhecido à fundo
por várias razões: pelas circunstâncias de freqüente
clandestinidade em que teve desenvolver-se desde suas primeiras
discussões, pela intoxicação policial de que foi objeto tantas
vezes e pelo desdem com que os intelectuais espanhóis em geral tem
contemplado sempre o povo trabalhador, ignorando ou minimizando o
alcance de suas realizações no acervo sociocultural.



Consiste esse fato singular no grande número de personalidades
relevantes que surgiram de suas filas: pensadores, escritores,
oradores, enciclopedistas, alguns com uma bagagem cultural pouco
comum e duplamente meritório por tela adquirida na qualidade de
autodidata e de trabalhadores sujeitos a um horário e a dura
repressão de que foram objeto com farta freqüência por parte da
patronal e do Estado. Resulta assim mesmo uma impressionante
quantidade de revistas, folhetos, periódicos e manifestos que tem
chegado a publicar este movimento desde que iniciou seu caminho nos
idos do século passado, sem contar as toneladas de papel impresso
que representam a celebração de seus comícios, as atas de seus
congressos e conferências, as plenárias em diversos níveis –
nacional, regional, comarcal e local – de todas suas federações.



Com grande parte dessa documentação tem-se podido salvar, o
historiador que busque nela poderá ter uma idéia aproximada da
magnitude que o dito movimento chegou a alcançar na Espanha através
de sua organização sindical. Não obstante, conhecemos muitos de
seus militantes dos anos que precederam a nossa última guerra,
podemos captar realmente o mérito daqueles trabalhadores, homens
simples e humildes que a margem de figuras mais relevantes e
prestigiosas do Movimento Libertário, souberam gravar sua mensagem.
Precisamente, era esse tipo de militante que representava a maioria e
constituiu, de acordo com a estrutura federal de suas instituições,
a base de todo o edifício orgânico; para qual insuflaria seu
proverbial dinamismo, não com ostentações de gloria e aplausos
como fazem os lideres, sim atuando discretamente e aportando a causa
que defendiam no que era realmente positivo para faze-la avançar:
sentimentos solidários, uma consciência ética, um sentido profundo
da liberdade e capacidade crítica. Eram estes valores que cultivavam
por cima de tudo como premissa indispensável em uma organização
que descarta a autoridade e nega a obediência a patentes e mandatos
oriundos de uma minoria “capacitada” e “inteligente”, e isso
claro está, exigia de todos seus militantes autoconfiança para
obedecer aos ditados de sua consciência e discernimento o suficiente
para aprender a elaborar os próprios critérios.


Retirado e traduzido do livro Las Colectividades de Aragon, Un vivir
autogestionado promesa de futuro. Félix Carrasquer.
Tradução Federação Operária de São Paulo seção Campinas, sobre

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