Entrevista com Diego Gimenez Moreno, militante da juventude libertária
e da CNT-FAI em 1936
1)FAI
e JJLL: Precedentes históricos (até junho de 1936).
FAI
– Federación Anarquista Ibérica – Foi constituída no ano de
1927, num encontro de um grupo de anarquistas espanhóis e
portugueses em Valencia, Espanha, com a finalidade de reunir o
Anarquismo Ibérico e era formada por grupos de afinidade.
Na
Espanha considerava-se que esse movimento também reforçava o
Anarco-sindicalismo.
JJLL
– Federación Nacional de Juventudes Libertárias – Foram
organizadas durante a 2a República Espanhola de 14 de
abril de 1931, reforçando junto com a FAI e CNT, a luta contra o
sistema.
CNT
– Conferación Nacional Del Trabajo – Tanto a FAI quanto a JJLL,
militavam na CNT: como trabalhadores eram filiados. Militavam nos
sindicatos como trabalhadores ou como produtores.
Os
Ateneus Libertários que se formaram na época, eram os Centros de
Cultura ativados na sua maioria pelos jovens, que mantinham viva essa
cultura. Havia vários Ateneus Libertários em cada cidade. Dentro
deles aconteciam palestras cotidianamente. Em alguns foram criadas
Escolas Racionalistas. Era um movimento amplo: tinha vida própria.
Cotidianamente realizava-se Teatro Amador.
Organizavam-se
“Ciras” (Pic-nic). Às vezes juntavam-se grupos de uma e de outra
cidade. Como Barcelona estava cercado de montanhas, bosques e
existiam mananciais de água pura, sempre fazia-se parada num dos
mananciais para saciar a sede. Os jovens na maioria não fumavam e
nem bebiam. A vida vegetariana tinha campo neste meio. Aproveitava-se
o tempo. Além da troca de idéias entre pequenos grupos, sempre se
usava um livro que alguns tinham lido e outros não e faziam-se
comentários sobre o livro. Falava-se também sobre momentos que
estávamos vivendo: o problema social. Havia debates.
Nas
Juventudes Libertárias não se descriminava a mulher. Havia uma
grande parte de mulheres que participavam.
Concluindo,
os debates, o livro comentado, a discussão dos jornais que se
publicavam na época, a colaboração que todos davam para manter
esses jornais, trazia como conseqüência que sempre estávamos
informados sobre os problemas políticos e sociais.
Participei
de uma “Cira” no dia 10 de maio de 1932. Reuniram-se 5000
pessoas. Naquele tempo eu já namorava e levei a namorada que só
podia vir desde que acompanhada pelo irmão menor. Formaram-se vários
grupos. Era um bosque. Alguns preparavam a paella. Os que já tinham
inclinação pela alimentação naturista, formavam outro grupo e
mais afastados um grupo de nudistas.
Naquele
dia tiramos uma fotografia com um amigo e companheiro de sempre,
Fernando e o seu cunhado. Essa foto foi destruída pela minha mulher
quando estourou a ditadura de Franco, com medo de represálias.
CNT,
FAI e JJLL, as três juntas, cumprem a sua missão histórica.
Enfocando
do ponto de vista social, eu só posso dizer que somente o Movimento
Libertário é capaz de resolver os problemas sociais.
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