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20 ANOS DOS NÚCLEOS PRÓ-COB/AIT (100 ANOS DE FUNDAÇÃO DA COB/AIT )

Esta entrevista realizada por J. M. Carvalho Ferreira a Jaime Cubero tinha como grande objectivo dar a conhecer a vida de um grande homem e sua articulação com o movimento anarquista no Brasil. Embora sabendo da sua fragilidade física, a sua morte em Maio de 1998 não era de todo previsível. Foi uma enorme perda para o anarquismo no Brasil e, porque não dizê-lo, para o pulsar das idéias e das práticas acratas no mundo. Com esta entrevista procura-se tão-só compreender a evolução do anarquismo no Brasil nas últimas décadas e revelar a figura do homem que nos deixou.

Estamos hoje a 28 de Maio de 1997 para entrevistar um grande amigo e companheiro - Jaime Cubero - figura sobejamente conhecida no Brasil dispensando quaisquer adjetivos, para a revista UTOPIA. Vamos tentar fazer aqui algo que fique para a história. Vamos tentar dialogar no sentido de articular a figura de Jaime Cubero com as idéias e práticas do anarquismo no Brasil e mesmo no mundo.

Assim, a minha primeira pergunta é:
Como é que enquanto pessoa, enquanto ser humano, emergiu para a prática e as idéias do anarquismo?
Eu comecei muito jovem. Eu tinha um vizinho espanhol que era anarquista e os filhos dele conviviam connosco. Jogávamos todos juntos na rua. Isto era na altura em que ainda não tinha dez anos, hoje tenho 70.
Vejam só quanto tempo já passou!
Estávamos mais ou menos em 1936/1937, ou seja antes de 1940. Esse meu amigo chama-se Liberto - hoje por acaso é meu cunhado, porque casou com uma irmã gêmea. Esse meu amigo visitava-me quando eu estava doente e conversávamos muito. Como na altura eu era católico por causa das aulas que recebia no grupo escolar nós conversávamos muito sobre religião - nós ficamos órfãos quando morreu meu pai, com 33 anos. Éramos seis irmãos, a menor com dois meses e o maior com 8 anos, e no intervalo nasceram os gémeos: eu e minha irmã Aurora. É a partir daqui que uma série de fatos irão influir no meu pensamento. Dividiram os irmãos de tal forma que 3 foram para a avó materna (o avô já tinha falecido) e 3 vieram para São Paulo para a avó materna. Minha mãe não casou de novo, daí as dificuldades que tinha para sustentar seis pessoas. Na altura a miséria era muita.

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 Informes

20 anos dos núcleos pró-COB/AIT - entrevista com Jaime Cubero

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Fevereiro Antifascista!

Entrevista com Diego Gimenez Moreno, militante da juventude libertária e da CNT-FAI em 1936

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