A defesa da AIT e do anarco-sindicalismo (do original em inglês)
Nós iremos acabar essa denúncia com um acontecimento que ocorreu alguns dias antes de nós sermos eleitos como membros da Secretaria-AIT pelo NSF em Janeiro. Uma pessoa telefonou e disse ao Secretário do SAC, Hannele Peltonen, que tinha se correspondido com ele e disse que ela queria conhecer a Secretaria da AIT agora que a secretaria estava na Noruega. A SAC e a AIT poderiam se sentar e falar juntos a mesma linguagem. Isso também foi mencionado pela decisão do Congresso da SAC de 1998 sobre a AIT. Para isso, foi respondido que a Secretaria da AIT não romperia a decisão da AIT de não se contactar com o SAC, mas se eles tivessem algo novo pra falar eles poderiam nos mandar, e a informação poderia ser passada para as Seções.
Como membros da NSF, nós líamos em sueco, e nós sabíamos o conteúdo da decisão do Congresso da SAC em 1998. De qualquer forma, nós achamos que isso parecia um tanto quanto estranho que a SAC depois de saber os resultados do Vigésimo Congresso da AIT decidisse que o Comitê Internacional deles deveria ativamente trabalhar com respeito e investigar as possibilidades da reentrada da SAC na AIT antes do próximo Congresso da SAC. O Congresso da AIT em Madrid em 1996 aceitou a CNTF e a USI (não as Seções de Vignoles e Roma). Teve claras decisões contra colaboração classista, subsídios estatais e pagamento dos oficiais da união e teve uma decisão de não se contactar com o SAC a qualquer nível.
A NSF não prestou muita atenção para a decisão da SAC, visto que a decisão da SAC continha informações dizendo que a SAC continuaria cooperando em questões e em projetos concretos com outras organizações libertárias e movimentos socialistas independentes. Em outros termos, eles continuarão cooperando com a CGTE, Vignoles etc. Também deve ser notado que o Congresso da SAC não fez nada para se livrar dos subsídios estatais para mudar a política ou orientação em direção a AIT!
Em 1995 a NSF mandou uma denúncia para a AIT chamada “ Quem está batucando os tambores da guerra” analisando a SAC como uma organização, e as táticas da SAC e dos libertários reformistas. As táticas da SAC estão descritas como um “ Gigante...” onde eles no começo dos anos 70 tentaram montar uma rede de contatos, e no fim dos anos 70 decidiram que “ a SAC em princípio deve ser membra de uma internacional sindicalista”. A SAC esperava construir esta internacional à volta de um eixo estabelecido com os reformistas na CNT quando os reformistas tinham o Comitê Nacional.
A SAC fracassou como todos sabem, porque os amigos da SAC saíram do Quinto Congresso da CNT em 1979, e mais tarde junto com o segundo racha da CNT em 1984, eles formaram uma falsa “renovada CNT”. É óbvio que a SAC não era neutra e nunca foi neutra no difícil conflito entre a CNT e o racha. Ativistas internacionais da SAC também ficaram desapontados quando o patrimônio histórico foi para a CNT e o racha teve que mudar o nome para CGT.
Então em 1990, o novo slogan do “Gigante...” apareceu. A SAC decidiu um novo programa internacional dizendo que eles “não serão membros de nenhuma organização internacional existente e que eles não tentam construir uma nova internacional”. Apenas um ano mais tarde, a Secretária da Internacional, Annika Hjelm, disse para a CNTF que “atualmente, nós não defendemos a criação de uma outra Internacional porque as relações não estão ainda desenvolvidas suficientemente.”
No começo dos anos 90 até 1995 a AIT estava caminhando através de um período de desestabilização. Haviam rachas na Austrália, Noruega, Japão, Alemanha, França, Itália e Espanha. Nessa situação a SAC viajou e visitou as Seções da AIT frequentemente, e a meta da SAC era óbvia. A denúncia da NSF diz:
“O Secretário Internacional da SAC, Kieran Casey, escreveu um artigo interessante no jornal da SAC, o Sindicalista número 7/8 1995. O título era “O tempo não parou – é tempo de se filiar novamente à AIT?” Ele diz que o boicote da SAC contra a AIT vinha dos anos 50, mas que o tempo está progredindo e que o tempo está muito dilacerado para uma normalização em nível oficial. Muitas das Seções da AIT não são o problema nesse processo, mas o problema Espanhol é derrubar sombras e isso é mais difícil de ser resolvido. Ele diz que a SAC tentará revolver isto. Eles querem dizer que a CGT e a CNT devem concertar seus problemas e se unirem. Ele diz mais adiante, que a SAC não encorajará as Seções da AIT a quebrar suas próprias decisões de não ter contatos oficiais com SAC. Em substituição, eles mandam uma apelação para as Seções da AIT e pedem a elas para cancelar a decisão de não terem contatos oficiais. Isso deve ser feito no próximo Congresso da AIT”.
O próximo Congresso foi o Vigésimo Congresso em 1996 em Madri. A conclusão da denúncia da NSF foi que seria um desastre para a AIT e para o anarco-sindicalismo se o Congresso seguisse as recomendações de uma “normalização” para a SAC. Especialmente se os rachas na França e na Itália não estavam resolvidos. Teria aumentado os conflitos, tensões e lutas dentro da AIT e possivelmente teria destruído a AIT.
As denúncias da Secretaria da AIT–Granada para as Plenárias da AIT e o vigésimo primeiro Congresso da AIT em Granada em Dezembro de 2000, mostram um monte das iniciativas e conferências múltiplas da CGT, SAC e Vignoles desde 1997 a 2000. E as fortes críticas contra a FAU no Congresso da AIT mostra que a situação não estava menos infectada pelas atividades e contatos paralelos da FAU.
Para contribuir para uma análise da situação atual, nós adicionalmente mencionamos o seguinte: O primeiro acontecimento foi no outono de 1999. Era uma discussão no boletim interno de Vignoles, se Vignoles devia assinar a chamada “declaração de Málaga” de julho de 1999. A maioria era contra a assinatura, de acordo com a Confederação Bureau. “Esta votação foi uma manipulação”, disse Jacques Toublet do “Sindicato das Comunicações”.
Nós não sabemos quem era maioria, mas Toublet está no boletim de Novembro de 1999 criticando o Secretariado Internacional de Vignoles, dizendo o seguinte sobre a “Marcha Européia” e sobre a “Conferência Européia de Uniões Alternativas”: “Nós estamos neste momento tentando duramente organizar um pólo anarco-sindicalista/sindicalista-revolucionário da SAC, FAU (Alemanha) e uma larga parte da base da CGT”. Então Toublet, que tinha contatos com o Secretário Geral da CGET, Olaizola, perguntou se essa era uma tentativa de organizar uma fração dentro e de pequeno alcance de comitês eleitos na CGTE.
O segundo acontecimento é de “Por um outro futuro” no Primeiro de Maio de 2000 em Paris onde o Secretário Geral da CGT, Olaizola disse que “todos os libertários devem estar unidos em uma forte Internacional”. Depois do Primeiro de Maio, o Secretário Internacional de Vignoles, Corto Ravena, foi entrevistado no “Arbetaren” sobre seus pensamentos sobre o futuro: “Quem sabe? Eu não sei, mas talvez o resultado será uma nova internacional em 5 a 10 anos. No momento nós estamos organizando projetos juntos e estamos construindo os primeiros tijolos pela nova rede de contatos da nova internacional”. Em outras palavras: Ao mesmo tempo em que eles estão apelando pela união libertária, eles mesmos estão construindo uma estrutura cada vez mais forte organizada paralela!
Então em Janeiro de 2001, essa tentativa ou iniciativa não-oficial de conversas com a AIT veio do SAC como nós descrevemos. E em Madri, do dia 30 de março ao primeiro de abril de 2001 a CGTE organizou uma conferência sobre “Anarquismo no Século XXI” com a meta de unir todas as forças libertárias em uma “Rede Internacional de Solidariedade Libertária” com congressos e etc. Um dos acordos da “rede” fundada em Madri era fazer projetos, como no Brasil apoiando a FAG, a organização que tem criado muitos problemas para nossa Seção FORGS-COB. Ao mesmo tempo a CGT na Espanha tinha um Congresso obviamente tentando colocar em frente suas novas imagens libertárias. Eles também estavam elegendo um novo Secretário Geral.
Neste ano, nós também vimos outras iniciativas da CGT, SAC e Vignoles como a “Conferência Européia de União Sindical” em Gothemburgo, em Julho. O Secretariado da AIT tem marcado como “atenção” no site da AIT, partes traduzidas do artigo de “Arbetaren” reportando de um campo de verão em Masseube na França. As visões desses membros da CGT, Vignoles, SAC são que a nova internacional é uma boa idéia, mas a maioria acha que a hora não está pronta ainda, não está madura. A tradução também mostra a cooperação da SAC com a polícia em Gothemburgo.
Não deve haver dúvidas que o “Gigante...” descrito na denúncia da NSF, continua. Hoje é extremamente importante estar atentos a estes manobradores internacionais que não são somente do SAC, mas também da CGTE com suas roupas novas libertárias, Vignoles e outras associadas. Nós temos razões de alertar tentativas de coptar Seções da AIT, ou partes de Seções da AIT em nome da união libertária. Tudo em ordem para fazer estrutura paralela cada vez mais forte e então formar uma nova Internacional.
O Secretariado da AIT tem perguntado às Seções e Amigos para analisar a situação. No SAC, nós temos uma Comissão da SAC consistindo do Direct, FSA, FAU e NSF. Eles podem fornecer a AIT com informações. E na CGT seria ideal ter as análises da CNTE e na Vignoles a CNTF. Não esquecer a OSL (Argentina), a FAU (Uruguai) e a FAG (Brasil) e nossas Seções e Amigas na América Latina e dos Estados Unidos podem fornecer informações.
O vigésimo Congresso da AIT tomou a decisão, chamada “A defesa da AIT e do anarco-sindicalismo e sua estratégica re-lançada”. Depois de criticar os sindicatos mais ou menos compromissados com a lógica institucional e a tentativa de criar uma outra internacional, esse documento (A defesa da AIT e do anarco-sindicalismo) diz que a defesa da AIT tem que tomar lugar em nível dobrado: Reafirmando nossos métodos e conteúdos libertários, e fazer uma AIT mais visível e forte “ estar em primeiro lugar nos movimentos sindicais, sociais e lutas anti-militares, dar voz para as massas continuamente movidas pelas correntes de imigrações”. As decisões do Congresso dão para as Seções, Amigos e ao Secretariado da AIT obrigações em tempos que o capitalismo global mostra seu verdadeiro caráter e a AIT está se aproximando de seu Octogésimo aniversário!
Oslo, 20 de Novembro de 2001
Saudações anarco-sindicalistas do Secretariado da AIT
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Tradução em português pela FOSP- companheiro Luis.

