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Na construção do socialismo libertário

Só com o fim do Estado é que uma sociedade socialista libertária poderá existir e isso ocorre com a gestão direta do conjunto dos produtores sobre a economia e sobre a vida social. Nesse processo, elimina-se os intermediários econômicos (gestores tecnocratas e os capitalistas particulares) e os intermediários na gestão social (os políticos profissionais e todos os partidos).
A construção do socialismo libertário implica na destruição do partido, pois é o rompimento da cisão entre político e o econômico. A proposta é clara: ou os trabalhadores gerenciam diretamente a economia e o nível político extirpando os intermediários. Nesse processo desenvolvem novas instituições sociais que formem as condições da construção do socialismo libertário. Ou se mantém a cisão entre politico e econômico, reconstituindo o modo de produção capitalista em molde estatal (capitalismo de Estado).
A defesa da teoria de vanguarda atualmente, é defender o imbróglio de submeter o movimento dos trabalhadores ao controle ideológico e organizativo da tecnocracia e dos experts da política, candidatos à uma nova classe dominante.
Quando o conjunto dos trabalhadores de uma empresa ou um conjunto de moradores de um bairro lutam e decidem coletivamente as suas questões, eles mantêm em mãos o poder de decisão, desenvolvendo a sua coesão e a sua consciência revolucionária. Desenvolvem nesse ato suas organizações: as comissões autogeridas, de composição rotativa, com revogabilidade de cargos, tendo a assembléia geral como  espaço único das decisões. É preciso dizer que assembléia é um importante espaço de aprendizado coletivo (veja o texto “O valor educativo da assembléia” Félix Carrasquer. Parte I http://fosp.anarkio.net/cmanarca/cma_116.html e parte II http://fosp.anarkio.net/cmanarca/cma_128.html), espaço de ampla participação e de informação e formação de tod@s, um exercício de organização e ação direta traçando os rumos e objetivos da luta. É muito mais do que erguer e abaixar braços, logo trazendo a consciência de exploração e a necessidade de rompe-la.
No caso,  a “ditadura do proletariado” deixa de ter fundamento, porque no processo de desenvolvimento autogestionário, nossa classe se emancipa. Elimina a base política porque destrói a representatividade por delegação de poder.
O fim da classe operária e campesina não é um objetivo a ser atingido neste modelo de produção. Ao contrário, ele já se processa durante o início da luta. Inconcebível fica também a questão da “fase de transição”, desnecessária. Formada para ser uma “ponte” que levaria ao comunismo, contrariamente tem servido como apoio na manutenção das relações desiguais, tipicas de sociedades exploradoras e opressoras.
As relações socialistas libertárias vigoram de imediato no terreno resultante da resolução da contradição capital e trabalhadores. A realização dessas novas relações de produção está no conjunto organizado das comissões e comitês autogeridos nas fábricas, campos, escolas, em todas as áreas da sociedade e que serão defendidos mediante o armamento de nossa classe em tais espaços. Apenas nas mãos dos interessados diretos é que as armas serão úteis e defenderão o socialismo libertário.
Por fim a relação de exploração e opressão é por em termino a relação do capital com o trabalho, abolindo as relações de valor, comércio, propriedade, herança, alicerces do atual sistema.   O socialismo libertário florescerá diretamente dos escombros do capital, em novos pilares autogeridos por seres humanos livres e iguais, assegurando o bem estar de tod@s nesse processo.  
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