
Organização patronal X organização dos trabalhadores
Enquanto lutamos para fazer entender a necessidade de participar e
organizar nossa resistência como classe, porque sem isso, estamos
sustentando nossos algozes, por outro lado, a classe antagonista
dominante, exploradora e opressora não só está organizada, como amplia
dia-a-dia sua influência em todas as áreas da sociedade, controlando de
forma quase total, tudo que é vinculado e desenvolvido com o objetivo
de se manterem e sempre reterem os maiores benefícios.
Não só estão organizados por sua competência, mas por haver uma
identidade clara e objetiva do que são, do que precisam e como obter o
que almejam, controle e poder de decisão e influência direta nos meios
que possam servir aos seus objetivo.
Não vemos e pouco sabemos de rachas e discussões da organizações
patronais. Não que não tenham atritos, mas resolvem de tal forma a não
quebrar a estrutura organizacional, o que comprometeria sua influência.
Sabem muito bem só podem conseguir mantendo o grupo forte e coeso.
E nossas instâncias?
Sofremos mais de 100 anos de perseguição, houve o desmonte das
organizações sindicais revolucionárias sistemático com deportações,
campos de concentração e assassinatos. Apesar disso, até 1930,
bravamente se mantinham organizações anarco-sindicais e lutavam contra
o fascismo que impregnou em nosso país, levando o ditador Getúlio
Vargas usar o modelo fascista italiano na concepção do controle do
trabalho, que é mantido até hoje.
Alia-se a isso, o que se considera o pior golpe ao movimento
revolucionário dos trabalhadores, a formação de organizações
partidárias ditas revolucionárias que promoveram a quebra da unidade
dos trabalhadores e partidarizaram a luta dos trabalhadores,
fragmentando a nossa força. Além dessa fragmentação do movimento de
luta, introduziram outro maleficio para nossa classe, a luta
parlamentar, o profissionalismo partidário voltado para as eleições e
para as disputas jurídicas, o que sentenciou e sentencia nossa classe
ao imobilismo total frente a organização burguesa dirigente.
Temos então a organização dos trabalhadores fragmentada, desorientada
enquanto classe e sem uma referência própria para luta.
O trabalho do anarquismo e do sindicalismo revolucionário é justamente
trazer de volta essa discussão, colocar em evidência a condição de
oprimidos e explorados e que somente pela luta direta, sem
partidarização e sem reformismos parlamentares, abolindo os
intermediários, os políticos, a propriedade e a exploração de uns sobre
os outros é que resolveremos boa parte das mazelas de nossa classe.
Isso tudo está no desenvolvimento da organização anarquista e do
sindicalismo revolucionário. Tudo o mais que retarde a luta, só servirá
a nossos inimigos ganharem mais tempo no poder, e isso eles sabem se
servir muito bem.
Por isso, necessário organizar e difundir a luta direta, sem partidos,
sem patrões, sem pelego, sem pátria.